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O Segundo Passo da Comunicação: Presença Física

Publicado por Autism Asperger's Digest Magazine

Social Thinking Article

© 2019 Think Social Publishing, Inc.


Nos artigos anteriores, explorámos de forma global o significado dos 4 Passos da Comunicação e aprendemos que a comunicação não é um acto isolado, mas sim uma sinfonia de pensamentos e acções relacionadas e sincronizadas no tempo. Começámos por pensar sobre as pessoas que nos rodeiam e na forma como podemos sentir (ou não) desejo em comunicar com elas. Neste artigo, falaremos do Passo 2 da comunicação: estabelecer uma presença física, e do papel que esta tem na nossa ligação emocional com os outros, em situações cara-a-cara.

 

Utilizamos os nossos corpos como veículos activos para estabelecer, manter e terminar uma comunicação, mas o seu papel é muitas vezes negligenciado. Quando queremos iniciar uma interacção, aproximamo-nos dos outros para sinalizar a nossa intenção comunicativa, estabelecemos contacto ocular, orientamos a nossa cabeça e o nosso corpo na direcção da outra pessoa. Por outro lado, quando não desejamos iniciar uma interacção ou quando a queremos interromper, rapidamente movemos o nosso corpo para fora do espaço físico da outra pessoa.

 

Quando os especialistas ensinam os alunos a melhorar as suas competências de comunicação, muitas vezes, focam-se nas competências verbais, negligenciando o facto de, virtualmente, toda a comunicação começar numa aproximação física. Considere o seguinte: a linguagem é utilizada para partilhar conhecimento e experiência, mas os nossos corpos ajudam a relacionarmo-nos a um nível emocional. Em qualquer interacção a nossa abordagem e atitude física é tão importante como as palavras que utilizamos! Talvez até mais! É possível estar com os outros apenas através da presença física activa, mesmo na que não exista uma comunicação verbal. No entanto, o inverso não é verdade. Alguém que fisicamente se volte de costas para o grupo ou que se afaste é visto pelos outros como estando desinteressado, aborrecido ou como sendo antipático, mesmo que as trocas verbais continuem.

 

Para além disso, as nuances na forma como abordamos fisicamente um grupo, como nos mantemos nele ou o deixamos, tem um impacto na ideia que os outros têm a nosso respeito, e vice-versa. Quando convivemos, geralmente, sentimo-nos mais confortáveis com pessoas que se encontram fisicamente relaxadas. Por outro lado, tendemos a reparar naqueles que têm uma presença física mais formal ou rígida, e questionamos os seus motivos. Em resumo, gravitamos em redor das pessoas que nos fazem sentir confortáveis e evitamos o contrário.

 

A mente social com um desenvolvimento normal parece vir equipada com um "sistema de radar social" que detecta aqueles que se aproximam e simultaneamente questiona as suas motivações e objectivos. "Será que está apenas a colocar-se atrás de mim na fila?" "Estará só a tentar passar por mim? Ou quer interagir comigo?" As crianças com défice das competências de pensamento social têm dificuldades nesta área, não sendo capazes de reparar nas pistas subtis da comunicação, nem de analisar as intenções comunicacionais dos outros. Temos que ensiná-las a respeito da presença física.

 

Os pontos que se seguem resumem algumas ideias básicas que podemos apresentar aos alunos para ajudá-los a compreender melhor o papel da presença física nas interacções cara-a-cara.

  • As pessoas utilizam a distância física como uma indicação sobre se querem ou não interagir com os outros. A distância varia em cada país e cultura. Nos EUA, a "zona de comunicação" é mais ou menos do comprimento de um braço.
  • Para além de estar a um braço de distância da outra pessoa, também precisamos que os nossos ombros, ancas e face estejam voltados na sua direcção para indicar que pretendemos comunicar. Quando se aproxima da zona de comunicação de outra pessoa desta forma ela começa a pensar em si e no motivo que o leva a estar próximo dela.
  • Mesmo que esteja a pensar numa pessoa e que deseje comunicar com ela, se não se mover para dentro da sua zona de comunicação ela não irá reconhecer a sua intenção. Se se mantiver parado ao longe e fixar o seu olhar nessa pessoa, ela pode achar que está a ser "perseguida". Emocionalmente isto é desconfortável e pode mesmo resultar num pedido de ajuda ou numa queixa à polícia por atitudes suspeitas!
  • Se tentar entrar na zona de comunicação de um grupo, mas parar a uma distância de um braço e meio, as pessoas ficarão na dúvida, sem saber se deseja ou não interagir com elas. Isto também pode fazer com que se sintam desconfortáveis.
  • Por outro lado, se estiver fora da zona de comunicação e não olhar para uma ou mais das pessoas, ou se se afastar, ninguém ficará com a ideia de que tem o desejo de comunicar com o grupo. Mesmo que continue a pensar nelas, não está a enviar qualquer sinal que os seus sistemas de radar social possam detectar. Embora possa ficar frustrado por ninguém vir falar consigo, tem que compreender que não parece querer falar com eles!
  • Uma vez dentro da zona de comunicação, existem alterações subtis da posição do seu corpo que podem enviar mensagens não verbais muito claras. Por exemplo: 
    • Se abordar o grupo a falar ou a olhar directamente para um dos seus elementos, podem achar que está a ser demasiado “intenso” e sentir que não está a levar em consideração os seus pensamentos (normalmente só entramos num grupo a falar directamente com uma pessoa, quando temos uma mensagem urgente para dar).
    • Se o seu corpo permanece ao pé dos outros, mas os seus olhos estão constantemente a olhar para fora do grupo, pensarão que não está interessado neles. De facto, a sua linguagem corporal está a “dizer-lhes” que você está a tentar encontrar uma forma de sair do grupo.
    • Se o seu corpo estiver junto dos outros, mas você estiver com os olhos fixos no chão (mesmo que esteja a ouvir o que estão a dizer), os outros podem sentir que se sente desconfortável em estar com eles. Isto faz com que também se sintam desconfortáveis e podem querer retaliar este gesto, não falando tanto consigo, quer no presente, quer no futuro.
    • Se estiver ao pé dos outros, mas a sua presença física for demasiado rígida (ou seja, não transfere o seu peso de uma perna para a outra, a sua postura é rígida e/ou mantém as mãos nos bolsos) mais uma vez fará com que sintam que não se está a relacionar com eles e que parece tenso ou desconfortável.
    • Manter-se muito próximo das outras pessoas faz com que pensem que está a “invadir-lhes o espaço”. A mesma coisa se passa quando toca em pessoas com as quais não tem uma relação pessoal. Ambas as acções podem fazer com que as pessoas não se sintam tranquilas ao pé de si; elas podem pensar que não as está a respeitar. Algumas podem mesmo pensar que está a tentar “namoriscar” com elas! Estes sentimentos podem levar a interpretações negativas das suas intenções, se não forem bem recebidas pela pessoa com quem está a comunicar.
    • Quando estão ao pé de si, as pessoas lembram-se de como as faz sentir.

     

Como professores (pais e educadores) de pessoas com défices na aprendizagem social, ajudamos os nossos alunos tornando-os melhores observadores dos comportamentos sociais que são “normais” e “esperados” no dia-a-dia. Ao mesmo tempo que coleccionamos as nossas próprias “normas”, observamos como é que as pessoas, que se encontram dentro do nosso espaço físico, alteram as nossas emoções e o nosso nível de conforto, quer a comunicação verbal se encontre envolvida ou não.

 

E o mais importante; quando estamos a falar de pensamento social e competências relacionadas, temos que retirar os nossos alunos das secretárias e ensinar estes conceitos em cenários reais, admitindo que alguns deles terão que ser "fabricados" para o momento de instrução. Dê aos alunos a hipótese de explorar como as outras pessoas os fazem sentir ao moverem-se para dentro e para fora do seu espaço físico.

 

No próximo artigo continuaremos a partilhar ideias específicas sobre como ensinar os alunos sobre o espaço físico. Até lá, mantenha o seguinte pensamento em mente: as lições de pensamento social que desenhámos para os nossos alunos, ensinam-nos tanto a eles como a nós sobre as capacidades e expectativas comunicativas. Todos aprendemos sobre nós próprios, assim como de que forma podemos ajudar os outros. Divirta-se, observando e participando no processo!

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