| O Primeiro Passo da Comunicação: Pensar Acerca do Pensamento |
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Publicado por Autism Asperger's Digest Magazine Como descobrimos no artigo do último mês, a comunicação é um processo dinâmico que muda a cada momento. Tornar-se num parceiro social bem sucedido estende-se muito para além de aprender as palavras ou acções socialmente adequadas, significa ter um bom pensamento social que permita reconhecer de onde vêm estas vêm.
A um nível inconsciente, utilizamos outras competências sociais para manter o nosso papel numa interacção comunicativa. Mostramos interesse pelos outros mesmo quando o tema de que estão a falar não nos entusiasma, monitorizamos os nossos patrões emocionais e intencionais e fazemos pequenos ajustes para nos mantermos em interacção de uma forma positiva; procuramos respostas emocionais nas pessoas; fazemos por não monopolizar a conversa e, quando as coisas não correm bem, usamos mecanismos de conversação para reparar o rumo do diálogo. E se a pessoa não lhe for familiar – por exemplo, um estranho que conheça numa conferência ou enquanto compra um novo par de sapatos? Nesse momento aparecem outras competências sociais: toma atenção aos atributos físicos para determinar o género, idade, preferências; usa as suas próprias capacidades ligadas ao pensamento social para fazer “suposições inteligentes” acerca de como interagir; monitoriza cuidadosamente o desenrolar da interacção e se esta está a seguir um caminho positivo ou negativo; repara nas respostas emocionais da outra pessoa, nas escolhas dos assuntos, etc, julgando o que deve dizer ou fazer; monitoriza as suas próprias reacções para determinar em que medida se sente seguro e interessado, ou não, em continuar a interacção ou, pelo contrário, em interrompê-la. Embora possa parecer surpreendentemente óbvio que não consigamos comunicar eficazmente sem nos envolvermos num processo de reflexão contínuo, quando os alunos com dificuldades no pensamento social são colocados em grupos tradicionais de “desenvolvimento das competências sociais”, é frequente gastarmos a maior parte do tempo a praticar o diálogo entre eles (através de estratégias como manutenção de tópicos, turn taking, etc.). O que precisamos de fazer é gastar mais tempo a ensinar-lhes o processo extremamente activo, mas discreto, do pensamento social que enriquece a conversação. Ensinar os alunos acerca do pensamento social chama-se ensinar a “tomada de perspectiva” (também referida como Teoria da Mente). Queremos que aprendam a pensar acerca do pensamento, que é, logicamente, o 1º Passo dos Quatro Passos da Comunicação: pensar acerca dos pensamentos e sentimentos das outras pessoas assim como dos nossos próprios. Antes de conseguirmos delinear estratégias ou tentar ensinar os nossos alunos a pensar sobre o pensamento, é preciso que tenhamos um conhecimento claro a esse respeito. O que é que quer dizer “pensar acerca do pensamento”? A tomada de perspectiva (TP) das crianças que se encontram dentro do espectro do autismo pode variar enormemente. Alguns alunos têm um nível de TP muito baixo, não apresentando sequer consciência de que as outras pessoas têm sentimentos e pensamentos diferentes dos seus. Podem pensar, literalmente, que toda a gente pensa as mesmas coisas e ao mesmo tempo do que eles! Talvez já tenha conhecido uma criança com autismo que começasse as frases como se já estivesse a meio de um assunto e que ficasse surpresa por você não saber do que é que ela estava a falar. Estas crianças pensam que você já “ouviu” a parte anterior e que podem simplesmente seguir em frente com o assunto. Neste nível de desenvolvimento da TP, as lições podem incluir:
Indivíduos num nível mais alto do espectro do autismo podem ter a capacidade de TP mais intacta. O nosso trabalho é ajudá-los a aprender acerca das nuances e sofisticação existentes no pensamento social. Algumas das lições associadas com este tipo de pensamento podem incluir:
Embora os conceitos de que falámos possam ser lógicos, ensiná-los é um processo profundo e intensivo em termos de tempo, muitas vezes estende-se ao longo de anos. Muitos dos nossos alunos com Síndrome de Asperger ficam “presos” nos seus próprios pensamentos acerca do mundo e de como as outras pessoas os fazem sentir. Apesar de poderem ser lições muito complexas, é necessário discutir o processo de pensamento de forma a ajudar os nossos alunos a focarem a sua atenção no que as outras pessoas estão a pensar e no impacto que os seus comportamentos têm nelas. (Encontre mais informação detalhada no Thinking About You Thinking About Me, 2nd edition (Winner, 2007); encontre lições para ajudar a desenvolver este conceito em Think Social! A Social Thinking Curriculum for School aged Students, 2nd printing (Winner, 2008). |


